Capítulo 1
Maxine POV
— Vai para casa, você já fez hora extra demais essa semana. Dorme cedo hoje e dá um presentinho antecipado para o teu namorado. — meu chefe praticamente me empurrou porta afora, com um sorriso s****o na cara.
— Tá, tá, já vou. Já vou.
Montei na moto e dei partida. Essa noite ia ser f’odа.
Hoje era o aniversário do meu namorado, e eu ia entregar a minha virgndаde para ele como presente especial. Tinha comprado lingerie nova, renda preta, transparente, e feito a d*******o, deixando só uma trilha que parecia uma flecha apontando direto para o meu se'xo.
Estava pronta para dar tudo: a minha primeira vez, meu coração, mergulhar de cabeça. Eu me sentia preparada.
Entrei na garagem e vi o carro da minha irmã e o do meu namorado. Não fazia ideia de que ela ia voltar para casa hoje. Ela ainda estava na faculdade, no último ano, mas eu tinha ouvido que as coisas não estavam indo bem. A pobrezinha da menininha de ouro não estava correspondendo às expectativas. Não que eu estivesse preocupada.
Meu namorado tinha chegado três horas mais cedo; o nosso encontro só estava marcado para mais tarde.
O que ele estava fazendo aqui já?
Entrei pela porta dos fundos e ouvi vozes. Segui na direção delas; estavam no escritório do meu pai, com a porta entreaberta. Me aproximei em silêncio e parei do lado de fora para escutar que segredo era esse agora. Eles às vezes faziam isso quando estavam tramando algo e não queriam me incluir, mas eu não entendia por que meu namorado e minha irmã estavam no meio.
— A gente nunca planejou que isso acontecesse — minha irmã respondeu baixinho, como se fosse a vítima da história; ela era especialista nisso. Devia ter virado atriz; já teria uns dez Oscars na estante.
— Quando? — meu pai perguntou, e eu fiquei no corredor esperando para entender do que se tratava.
— No Natal. A gente bebeu demais daqueles eggnogs especiais os seus, e as coisas esquentaram. A festa já estava quase acabando; os presentes tinham sido abertos, a comida comida. Todo mundo estava circulando, conversando, quando a Zoey disse alguma coisa, não lembro o quê... mas acabamos subindo para continuar a conversa e fomos parar no quarto da Maxine. Começamos só conversando mesmo, e antes que eu percebesse, estávamos nos beijando, as coisas pegaram fogo, e acabamos na cama dela, como eu disse. Eu estava tão perdido no momento que esqueci de usar c'аmisinhа. Quando saímos, ninguém pareceu notar que tínhamos sumido, então fingimos que nada aconteceu. — Meu namorado respondeu, e o meu coração despencou no chão ao entender que a minha irmã e meu namorado tinham trаn sаdo na minha cama no Natal.
NA MINHA CAMA.
Eu dormia naquela cama, com o gozo deles nos lençóis.
Senti um enjoo imediato. Como eles puderam fazer isso comigo?
Ela roubou outro namorado meu. De novo. Mas ele era tão culpado quanto; acho que o nosso relacionamento não era tão forte assim. Pelo menos do lado dele. Ele continuou fingindo, me beijando, me levando para sair, como se nada tivesse acontecido.
Que fi’lho dа pu’tа.
Agora eu me sentia traída, suja, envergonhada e furiosa ao mesmo tempo. E se ela não tivesse engravidado, e eu tivesse casado com esse c*****a traidor? O presente de casamento dela seria me contar que tr'аnsou com ele primeiro? Eu não duvidava que ela fosse capaz. Já tinha feito isso antes com meus namorados, e esse aparentemente era tão vulnerável aos avanços dela quanto o anterior.
— Ele me deu o melhor presente de Natal da vida. — Minha' irmã comemorou, toda feliz. Eu conseguia imaginar ela acariciando a barriga com carinho.
— Isso é uma ótima notícia. Eu sempre quis netos, e o último que eu esperava era você; você nunca conseguiu manter um relacionamento por muito tempo. — Minha mãe disse, animada com a novidade.
— E agora? — minha irmã perguntou, ainda no papel de vítima perfeita.
— A gente casa? — o meu agora ex-namorado sugeriu. Parecia mais uma pergunta do que uma certeza.
— E a Maxine? — minha irmã perguntou, como se eu fosse um estorvo que precisava ser resolvido. Agora eles pensavam em mim, mas não soava como preocupação.
— E ela o quê? Isso é sobre o meu primeiro neto, e a segurança dele ou dela vem em primeiro lugar. Ela vai ter que engolir. — minha mãe cuspiu, mostrando aquele favoritismo clássico, porque ela sempre ficava do lado da minha irmã em tudo, mesmo quando ela estava errada. Nunca me defenderam.
— Eu tecnicamente ainda sou namorado dela. — ele começou a falar, mas foi interrompido.
— Não é mais, não. Vou falar com o dono do bar local para alugar o jardim externo, e vamos fazer uma festa de noivado nesse sábado. Resolve isso antes que ela comece a aparecer, e a Maxine vai demonstrar apoio — a voz do meu pai saiu firme. Eu não tinha voz nessa história, nem queria mais ser namorada dele; ele tinha provado que não era o tipo de cara que eu queria.
— Ela vai ter que sair. Preciso do quarto dela para o berçário. Eu preferia que ela nem aparecesse na festa de noivado. O que vão pensar as pessoas que sabem que ela era a namorada de verdade quando virem que não é a Maxine que está noiva? — minha mãe completou. Sim, essa era minha mãe, tentando salvar a própria cara e recuperar a dignidade.
Não aguentei mais. Já estava destruída o suficiente, e ouvir o apoio deles ao amor dos traidores estava me corroendo por dentro. Não queria chorar na frente deles; as lágrimas eram uma mistura de raiva e dor.
Empurrei a porta e me mostrei ali parada.
Todos os rostos se viraram para mim.
— Deixa eu ver se entendi direito. Você levou meu namorado pra MINHA cama, tr'аnsou com ele, deixou a sujeira dele lá como um presente de Natal para mim. Deve ter sido o dia mais feliz da tua vida, pensando que eu estava dormindo no gozo de vocês. Agora quer o meu quarto para o b******o que vocês fizeram, e eu sou o quê? Jogada fora como lixo de ontem? — perguntei para ter certeza de que entendi que a família inteira estava de boa em me descartar.
— Exato. Estou pegando teu namorado, teu quarto, e você, minha querida irmãzinha, vai ter que dar o fora. — Minha irmã disse como se tivesse ganhado na loteria. O rosto dela brilhava de vitória.
— Tudo bem por mim.
O choque no rosto deles teria me feito rir se eu não estivesse tão anestesiada por dentro. Fui para o meu quarto, joguei o que coube na mochila e saí. Volto depois para pegar o resto, quando eles não estiverem por perto.
O meu coração estava se partindo, não só porque perdi o namorado — embora doesse prа cаrа’lho, considerando que o que eu ia dar para ele hoje eu tinha guardado para não fazer merda —, mas também porque os meus dois pais estavam apoiando essa traição como se fosse a melhor notícia dos últimos anos. Parecia que eles queriam se livrar de mim há tempos e agora conseguiram de um jeito espetacular.
Desci as escadas e olhei para eles.
— Quando eu achar um lugar para ficar, volto para pegar o resto — cuspi, uma mistura de mágoa, raiva e derrota. Nunca me encaixei na família, sempre fui a ovelha negra, então talvez fosse hora de virar uma de verdade. Sempre tirei as melhores notas, ganhei prêmios, dei o meu melhor, mas mesmo sendo a primeira, eu continuava sendo a última.
O único lugar que me veio à cabeça foi a casa da minha melhor amiga; tinha que ser temporário. A Jenny ia ficar de boa e me deixar dormir no sofá dela até eu achar um canto. Montei na moto e fui pro único refúgio que eu tive nesses anos todos.
Jenny me recebeu em casa como eu sabia que faria, e juntas fizemos uma festa de autopiedade com cerveja e sorvete de baunilha. Chamamos a família e meu ex de uns nomes bem criativos, alguns que eu nunca tinha ouvido, mas que soavam perfeitos. Quanto mais bêbada eu ficava, mais inventivos os nomes ficavam.
Na manhã seguinte, acordei no sofá da Jenny e lembrei de tudo. Não foi como eu planejei. Me arrumei, tomei um banho rápido e saí para o trabalho. Eram oito da manhã, e a Jenny ainda estava apagada quando eu saí. Tudo bem para algumas pessoas, mas meu turno hoje ia ser de dez horas, e eu já estava atrasada.
— Tá atrasada, a noite deve ter sido melhor do que o planejado — o Mike disse, todo animado. Eles meio que sabiam o que eu ia fazer ontem à noite. Os outros riram junto com ele. Eu resmunguei um “vai se fo'der” qualquer e fui trabalhar.
No fim do dia, o Mike me chamou para o escritório dele.
— Tá bom, desembucha. Os caras ficaram o dia inteiro pisando em ovos perto de você. O que rolou? Ele recusou teu avanço? — perguntou, com a mão no meu ombro, me mantendo no lugar, me olhando com olhos preocupados. Um pai de verdade, bem melhor que o meu jamais foi.
Então contei tudo: o que aconteceu quando cheguei em casa, onde passei a noite e que agora estou procurando um lugar pra morar. Me orgulhei de mim mesma; não chorei, não fiz drama, não mostrei emoção nenhuma, só expliquei a situação com palavras frias, sem rodeios. Claro e direto.
Ele disse que não ia falar nada na oficina, mas ia conversar com o presidente. Não entendi por quê, mas não estava no clima pra questionar.
Capítulo 2
Ponto de vista da Maxine
Hoje era a festa de noivado da minha irmã; noiva do meu ex-namorado.
É, você ouviu direito, meu ex. Que palhaçada.
Eu namorava o Dan há seis meses quando minha irmã, que tem três anos a mais que eu, voltou pra casa no Natal e acabou na cama com meu namorado. Ela é uma vа'diа sem vergonha, sempre foi, mas eu nunca imaginei que ele fosse ceder. Achava que nosso relacionamento era sólido.
A única coisa boa que tirei disso tudo foi que nunca tr'аnsei com ele; minha virgndаde ainda estava intacta. Não que eu estivesse guardando de propósito, só nunca tive a chance de perder. Ela sempre dava um jeito de roubar qualquer cara que eu gostasse, eles me largavam por ela, e quando se cansava, partia pro próximo. Então, de certa forma, eu só tive namorado de verdade depois que ela foi embora pra faculdade.
Mas aí ela voltou, conheceu ele, seduziu o i****a e engravidou. Ele fez o showzinho todo: ajoelhou, pediu em casamento. Pelo visto foi romântico prа cаrа’lho, mas eu não estava lá pra ver, porque eles não me queriam por perto. Doeu pra cacete na época, e eu só consegui superar porque minhas amigas me seguraram.
Dizem que eu escapei por pouco.
Concordo com elas, mesmo que de forma i****a.
Ele podia ser um atleta gostosão, mas fazer isso mostra que era fraco e superficial. Eu era boa demais pra ele, pelo menos é o que minha melhor amiga diz. Prefiro acreditar nelas do que nas desculpas esfarrapadas que ele inventou.
Tive que sair de casa depois de uma briga feia com meus pais, uns dias atrás, quando a verdade veio à tona. Eles ficaram do lado dela, não do meu, e no minuto seguinte eu estava porta afora, a irmã má da história. A festa de noivado era pra apresentar ele pros amigos dela e oficializar o namoro, mas eu não fui convidada. Meus pais não queriam mais saber de mim. Eu os deixava desconfortáveis, já que ele era meu namorado primeiro. Qualquer um que fizesse as contas da gravidez ia sacar que eles me traíram, e ia ficar estranho demais, com perguntas demais.
Não precisava repetir tudo isso, já falei antes, mas grrrrr, tô pu'tа da vida com essa tal de “família” que me chutou da minha suposta casa sem dar a mínima pros meus sentimentos.
Era mais fácil me expulsar e me deserdar do que explicar pros outros que a filhinha perfeita tr'аnsou com o namorado da irmã e, pimba, bebê a caminho.
Como fui expulsa com pouco tempo pra arrumar minhas coisas, aproveitei o dia da festa pra invadir a casa e pegar o resto das minhas posses. Abri o cofre do meu pai, peguei todos os documentos que tinham meu nome, um pouco de dinheiro — na verdade, bastante dinheiro — e as joias da minha avó que ela deixou pra mim.
Com a ajuda da minha melhor amiga, empacotamos tudo e levamos para o apartamento dela até eu achar um lugar meu. Eu ando de moto, então preciso de ajuda para carregar. Tenho grana para comprar um canto novo, mas estou em dúvida se quero ficar nessa cidade. Quando terminar o estágio, talvez eu suma daqui. Fiquei aquela noite na casa da Jenny enquanto decidia o que fazer.
Hoje eu estou me mudando para o meu novo lugar, um apartamento e*****a da oficina de motos onde trabalho. Estou no último ano do estágio, sou mecânica de motocicletas e orgulhosa prа cаrа’lho disso. Também mexo com carros e caminhões. Se tiver motor, eu conserto; sempre consegui, graças ao dom que desenvolvi desde os oito anos, quando me apaixonei por motores. Meu avô me ensinou, me mantinha longe da bagunça da casa. Pode-se dizer que eu era uma m****a sem frescuras nem rendinhas. Meu avô me mantinha sã e ocupada, então a merda da casa não me machucava tanto.
O lugar tem dois quartos, é independente, com tudo que preciso. Comprei lençóis e toalhas novos, essas coisas, mas a cozinha já veio equipada; só preciso comprar comida. Pode ser pequeno e ficar e*****a de uma oficina barulhenta, mas à noite é silencioso. Ninguém arromba essa oficina; o clube de moto local é dono. São caras bons, intimidantes, mas até agora zero problema comigo.
A minha melhor amiga, Jenny, estava me ajudando a subir as coisas quando um grupo de motoqueiros chegou e deu uma mão. Eu tinha cinco caixas e duas malas cheias de tralha.
— Valeu, galera, pela ajuda — falei, toda doce. Minha amiga piscava os olhos pra eles e rebolava enquanto agradecia.
Ela me faz rir com essas palhaçadas, completamente opostas a mim. Eu vivo de calça jeans, quase nunca uso vestido; ela quase nunca usa calça jeans.
— Tem uma festa no clube amanhã, sábado. Você devia ir, relaxar um pouco, trazer suas amigas — o Bruiser sugeriu, jogando o braço por cima do meu ombro, me levando pro sofá, me empurrando pra sentar e me entregando uma cerveja que eles trouxeram.
É assim que eles agem comigo: mandam, ordenam. Às vezes eu aceito de boa; outras vezes eu reviro e rosno de volta. Hoje eu aceitei. Sei que é de boa intenção, e me sinto sortuda por ter eles como família; tentam me animar.
— Parece f’odа, estou dentro. Posso levar duas amigas. Max, quer que eu te busque? — Jenny ofereceu, pegando uma cerveja com um dos caras. Ela não curte cerveja, mas nessa situação eu via que ela não ia recusar nada. Acho que vou, quer eu queira ou não.
— Não, eu vou de moto — respondi enquanto um dos caras pedia pizza.
— Esse é o espírito. Nada como o vento no cabelo pra varrer a poeira da mente.
Eles ficaram porque não queriam me deixar sozinha na primeira noite aqui.
A pizza chegou logo depois, e o meu apê pequeno logo ficou apertado e lotado com seis motoqueiros enormes. Uns sentaram no chão, outros pegaram uma das três cadeiras da cozinha. Eu sei, três cadeiras é estranho, mas era o que tinha, e mendigo não escolhe. O aluguel era uma pechincha, e acho que os caras garantiram que eu tivesse tudo que precisava.
Eles descobriram a minha situação no dia seguinte ao da briga. Eu estava quieta demais no trabalho, o que não é normal — normalmente canto junto com o rádio ou xingo alguma peça. Um deles veio perguntar o que tinha rolado, contei baixinho, e a notícia correu. Quando os motoqueiros souberam que eu tinha sido chutada de casa e o motivo, vieram atrás de mim como irmãos protetores. Agora tenho um bando inteiro de motoqueiros me cobrindo as costas. Me sinto privilegiada por chamar eles de amigos.
Eles até se ofereceram pra dar uma surra no ex, mas recusei. Estranhamente, eu estava aliviada por me livrar daquele perdedor traidor. Melhor agora do que quando eu estivesse totalmente investida. Além do mais, já estava na merda suficiente com meus pais e minha irmã para piorar as coisas.
A pizza acabou, minha amiga foi embora, os caras também. Era tarde, para mim pelo menos, meia-noite. Eu durmo rápido porque acordo às cinco para o trabalho. Amanhã, sábado, tenho turno da manhã antes da festa à noite. Eles me liberaram mais cedo hoje para eu poder me mudar.
— Ei, não esquece de vir, a gente precisa da nossa mecânica mais gata na festa. Alguns dos garotos podem precisar de um ajuste — o Bruiser disse, rindo, enquanto subia na moto e ia embora. Eu sei exatamente que tipo de “ajuste” ele estava falando, e não tinha nada a ver com motor.
Olhei em volta do meu novo lar. Não era grande coisa, mas era meu. Os caras foram f’odа: levaram as caixas vazias de pizza e as latas de cerveja, deixaram o lugar relativamente limpo. Nada do que se espera de um bando de homens barulhentos.
O clube.
Nunca estive lá, apesar de trabalhar na oficina há quase quatro anos, e eles nunca me convidaram. Sei que rolam muitas festas; talvez eu fosse nova demais. Fiz vinte anos recentemente, mas eles deviam me ver como a menina de quinze que apareceu um dia e disse para o chefe que ia ser aprendiz dele. Ele riu na minha cara, disse que me daria uma chance para provar. Achou que era brincadeira e que eu sumiria no fim de semana. Mas nas férias eu ralei prа cаrа’lho e estou aqui desde então.
Capítulo 3
Maxine POV
O som do alarme do meu celular me fez sentar e olhar ao redor. Levei um tempo para lembrar onde estava. O quarto tinha uma pequena cortina que mal bloqueava a luz. Havia um poste de luz do lado de fora da minha janela. Posso imaginar-me comprando cortinas blackout melhores em breve. Embora fosse irritante, não era uma das minhas principais prioridades para tornar este lugar um lar.
O chuveiro era bom, com boa pressão. Segui minha rotina matinal, apenas para perceber como era tolo acordar tão cedo, morando acima do meu local de trabalho; eu não precisava vir de carro até aqui. Depois de terminar o café da manhã e limpar a cozinha, ainda tinha meia hora antes de precisar estar no trabalho.
Eu tinha duas maneiras de entrar no meu apartamento: uma era pela escada dos fundos e a outra era pela loja. Com o código para desligar o alarme, decidi descer e começar a trabalhar mais cedo. Era melhor do que arrumar as coisas; eu poderia fazer isso mais tarde. Eu tinha uma bicicleta para terminar até esta tarde. O cliente chegaria às duas horas.
Desliguei o alarme, liguei a cafeteira, o rádio e fui para minha estação de trabalho, onde o gordo estava esperando que eu terminasse. Sentei no banco com rodízios e comecei meu trabalho, cantando alto a música de rock pesado que tocava no rádio enquanto instalava as novas velas de ignição e verificava o óleo. Era um serviço simples e fácil. Quando terminei, liguei a moto, deixei-a em marcha lenta enquanto fazia café e depois voltei para acelerá-la algumas vezes. O som era irregular, como se estivesse funcionando perfeitamente; era música para meus ouvidos. Adoro aquele som gutural, profundo e irregular. Dá para sentir a vibração no pei'to.
— Esse é o som que eu mais gosto de ouvir quando chego no trabalho — meu chefe, Mike, disse enquanto eu desligava a moto.
— Está pronta para entregar, a menos que você queira dar uma volta para testar. Quer um café? A cafeteira está quente — ofereci, jogando o pano sujo no lixo.
— Claro, eu dou uma volta com ela e você faz um café para mim — ele respondeu com um sorrisinho s'аcаnа enquanto pegava a moto. Abri a porta da garagem, e o Mike saiu acelerando. Sorri vendo ele sumir na rua e fui preparar café para nós dois. Se você ainda não sacou, eu bebo café prа cаrа’lho. Refrigerante e chá não são comigo; para mim é café ou água.
Com a vassoura na mão, comecei a varrer a oficina. Não fico muito aqui fora, mas tento passar a vassoura pelo menos uma vez por semana. Tem outro aprendiz, do segundo ano, que faz a maior parte da limpeza, mas ele nunca aparece no sábado.
O ronco da moto voltando me fez pegar as duas canecas de café e sair pro pátio. Mike estacionou com um sorriso enorme na cara.
— Trabalho f’odа, você é nossa mecânica número um. Mas não conta para ninguém, senão eu nego — brincou, pegando o café da minha mão enquanto passava, provavelmente para avisar o cliente que a moto já estava pronta antes da hora.
Fui pra próxima moto, que era uma reconstrução total. Tinha sofrido um acidente leve, o quadro estava sendo checado, e eu trabalhava no motor e na caixa de câmbio. Era o único serviço na minha lista no momento. O dono não tinha pressa; quebrou a perna, então eu tinha algumas semanas pra mexer na moto dele e em qualquer emergência que aparecesse na oficina.
O cliente chegou, pegou a moto todo feliz e satisfeito com o serviço.
— Ouvi dizer que te convidaram para a festa do clube hoje à noite — Mike comentou enquanto batia a venda no caixa.
— É — respondi, estourando o “p” com força.
— Pode ir embora agora, não tem mais cliente marcado. Bom trabalho hoje. — Era quase uma da tarde, perto da hora que eu normalmente saio.
— Valeu, chefe. — fiz continência e subi correndo as escadas antes que ele mudasse de ideia. Subi rindo alto. Ouvi ele rindo também enquanto trancava a porta lá embaixo.
Decidi tomar um banho rápido; não queria cheirar a óleo quando fosse a uma festa. Vestia as minhas calças jeans pretas justas, uma blusa preta com chamas vermelhas nas costas e nos bolsos, botas pretas com correntes ao redor do tornozelo e cabelo preso em um r’аbo de cavalo. O meu cabelo ficaria todo amassado, então era um desperdício tentar arrumá-lo agora. Uso rímel e brilho labial de morango, mais para hidratar os meus lábios, que tendem a ressecar quando ando de moto, e é isso. A última coisa que peguei antes de sair foi minha jaqueta.
Minha mãe costumava reclamar que eu não era como a minha irmã e não me esforçava mais para cuidar da minha aparência, mas eu gosto de quem eu sou e não gostava de usar muita maquiagem; foi minha escolha, e sinto que não sou uma garota cheia de babados e rendas. Isso era um ponto de discórdia com a minha mãe. Ela fazia minha irmã se arrumar e me deixava aos cuidados do meu avô até ele m****r, quando eu tinha 17 anos.
Fiquei arrasada quando ele partiu. Ele era a única pessoa que me entendia. Minha avó tinha falecido quando eu era pequena, e eu preenchia o vazio no coração dele com o meu amor por motos e pesca. Ele me deixou seu dinheiro e as suas motos. Meu pai ficou com a casa e o negócio dele. Minha mãe odiava que eu tivesse ganhado todo aquele dinheiro. Quando minha avó morreu, ela me deixou suas joias, e o meu avô se certificou de mantê-las em segurança até que eu tivesse idade suficiente para ficar com elas.
co'mi alguma coisa e coloquei mais algumas das minhas coisas nos armários antes que o meu celular tocasse para me avisar que minhas amigas estavam a caminho da festa.
Tirei a minha moto da pequena garagem e liguei-a. Passei a perna por cima e parti, indo em direção à propriedade. O clube ficava a meia hora da cidade, situado numa grande propriedade um pouco afastada da estrada.
Dez minutos depois, cheguei atrás das meninas e fiquei atrás delas. Minha amiga acenou para que eu assumisse a liderança. Dei de ombros e a ultrapassei. Chegamos à bifurcação e subi alegremente a longa estrada, ladeada por árvores. Um grande portão de aço aberto apareceu e fiquei feliz por ainda haver luz suficiente para enxergar claramente.
Homens estavam parados na entrada, observando a nossa chegada.
— E aí — cumprimentei o maior homem que eu já vi na vida.
— Quem te convidou para cá? — ele perguntou com voz g****a, rouca, meio agressiva.
— O Bruiser — respondi firme e clara, torcendo para que o medo que eu sentia não transparecesse na voz.
Ele pegou o celular e ligou, imagino que para o Bruiser.
— Max? — perguntou, me olhando de cima a baixo, e eu assenti. Ele falou mais alguma coisa e desligou.
— Pode entrar. O carro atrás é das tuas amigas? — Ele olhou para o carro que vinha atrás, claramente com uma mulher dentro.
— É — Respondi, sem gostar nada da forma como ele me intimidava com os seus modos.
Talvez fosse a forma como cumprimentavam os estranhos.
Um olhar basta para fazer os fracos fugirem.
Pois eu não sou fraca, e não vou correr.
Capítulo 4
Maxine POV
O motociclista, que era bastante corpulento, se inclinou para olhar dentro do carro, a sua figura volumosa bloqueando parcialmente a janela aberta, fazendo com que a garota mais próxima dela recuasse.
Satisfeito, ele olhou para mim com um sorriso malicioso e, em seguida, fez um gesto para que entrássemos.
O clube não era nada como eu imaginava. Primeiro, tinha quatro andares. Uma varanda ao redor, pelo que pude ver. Era mais como uma mansão do que um clube.
As mulheres estavam reunidas perto da porta, olhando para dentro, como se estivessem esperando por algo; algumas estavam sentadas na cerca de madeira que cercava a varanda. Elas estavam vestidas com quase nada, mostrando tudo o que tinham, algumas adoravam esse tipo de coisa. Pessoas como eu se vestem para se manter aquecidas ou frescas e não se importam em exibir os seus atributos.
As motos estavam alinhadas em fileiras organizadas na frente, e os carros estavam estacionados à esquerda do prédio; a proporção de motos para carros era de aproximadamente quatro motos para um carro.
Estacionei a bicicleta com as outras, desci e tirei o capacete. Coloquei o capacete na bicicleta e sacudi o cabelo enquanto esperava as meninas estacionarem e virem até mim. Ouvi algumas risadas abafadas, mas não me importei, eu não estava ali para agradá-las.
Bruiser saiu do clube atrás de mim.
— Max, você veio de moto. f’odа — ele me deu um abraço apertado e foi dar uma olhada mais de perto na minha moto. A pintura era um lobo se dissolvendo em fumaça. Demorei meses para terminar, porque ficava mudando de ideia, e a fumaça escondia os erros.
— Quem fez essa pintura? — perguntou enquanto dava a volta para ver de todos os ângulos.
— Eu — respondi, orgulhosa prа cаrа’lho do resultado.
— O Mike sabe que você pinta? — Ele soou surpreso.
— Ele já viu a moto quando usei a garagem pra fazer manutenção. Nunca perguntou quem fez a pintura, só disse que curtiu.
— f’odа. Parece que temos alguém pra fazer retoques e talvez uma pintura completa. Tem uma reunião de família daqui a algumas semanas, e as old ladies estão convidadas. Você pode vir junto — o Bruiser ofereceu enquanto minhas meninas chegavam; imaginei que elas não estavam incluídas no convite porque não tinham moto.
— Bruiser, você já conhece a Jenny, a Melony, a Karen e a Heather, minha outra melhor amiga, e a Alice, irmã da Karen e melhor amiga da minha irmã — falei isso de propósito, torcendo pra que o Bruiser entendesse exatamente o tipo de mulher que a Alice era. Ela piscou os olhos e se inclinou pra frente, exibindo o que tinha por baixo daquela quase-blusa. Minhas meninas o cumprimentaram com o respeito que ele merecia.
— Senhoras. Mãos pra fora — o Bruiser carimbou o dorso da mão delas; todas ganharam um urso, menos a Alice, que levou um coelho. Franzi a testa, tentando entender o que o coelho significava.
Ele afastou minha mão.
— Você é da família, não precisa de carimbo.
Não consegui segurar o sorriso que se espalhou no meu rosto. Me senti especial prа cаrа’lho. Aí caiu a ficha. Coelho significava que ela abria as pernas. O Bruiser sacou na hora o que eu entendi. Demorou um pouco pra eu captar o propósito dos carimbos.
— Vem pra dentro conhecer as old ladies — falei que entendi; eram as mulheres reivindicadas, que tinham um nível de respeito que as não reivindicadas nunca iam entender. Conheci algumas ao longo dos anos e peguei mais noção da vida no clube. Elas me respeitavam tanto quanto eu as respeitava.
Entramos, e as meninas que estavam esperando do lado de fora nos lançaram olhares sujos, porque ainda estavam barradas.
— O que elas têm de tão especial? — uma delas fez biquinho, mas o Bruiser ignorou.
Por dentro era mais limpo do que eu esperava, culpa minha por julgar um bando de homens, já que eles sempre parecem bagunçados na oficina. O lugar tinha um espaço aberto enorme, com mesas altas pra ficar em pé, cabines espalhadas pelas paredes e banquetas no balcão que ocupava todo o comprimento da sala. Adorei o espaço amplo, as fotos nas paredes e algumas peças de moto jogadas como decoração. Algumas banquetas eram selins de moto de verdade; era diferente e me agradou. Afinal, sou louca por motos.
— Sticks! — cumprimentei quando chegamos perto das mulheres que o Bruiser estava nos levando.
— Ei, Maxie Max. Como tá o vento? — Ela se levantou e me puxou pra um abraço apertado e quente. Essa mina não tem filtro nem noção de espaço pessoal. Sticks era a old lady do presidente; o nome de verdade dela era Sandra, mas ela tinha a minha altura, um metro e setenta e cinco, e era magra que nem um varapau, quase sem pei'to, mesmo tendo tido dois filhos. Daí o apelido Sticks.
— Tô melhor — respondi. Ela sabia o que tinha rolado.
Ela nos apresentou pras outras que estavam com ela, e não me surpreendeu que a Alice já tivesse se afastado antes mesmo de as apresentações acabarem.
— Qual é a história dela? — Sticks perguntou enquanto via a Alice começar a tentar a sorte com os caras do clube.
— A mesma da minha irmã. O Bruiser botou um carimbo de coelho na mão dela.
Sticks e as outras explodiram em risada.
— Ela vai ser usada, abusada e chutada pro lado antes da noite acabar, e duvido que deixem ela voltar. A gente não precisa desse tipo aqui no clube — a Maggie soltou enquanto via um patched recusar a oferta dela.
— As regulares não vão curtir ela invadindo o território delas. Por assim dizer — a Tootsie completou com um sorrisinho, porque as regulares conhecem as regras e seguem à risca.
Não se aproxima de um patched; se ele quiser, vem atrás de você.
Nomads são jogo aberto.
Mas a maioria das meninas prefere um patched.
Não toca em m****o tomado; as mulheres se juntam e tornam sua vida um inferno se você mexer com um dos delas.
Espera ser convidada pra entrar no clube e fica na área pública.
Nada de subir sem convite.
Os dois primeiros andares são pra quartos de hóspedes, o último andar é reservado pras residências permanentes. Pros que não têm casa própria pra ir. São áreas privadas, sem acesso pra meninas soltas.
Não toca nem senta na moto de ninguém sem permissão.
As old ladies patched mandam nas meninas; se elas mandarem você sair ou fazer alguma coisa, você obedece.
Tinha mais regras para as visitantes, mas não lembrava todas na hora. Nenhuma tinha se aplicado a mim até agora.
A Alice já tinha quebrado pelo menos três, pelo que eu sabia. Eu fico fora disso. O coelho na mão dela dizia para os mem'bros que ela abria as pernas para qualquer um, e ninguém ia apoiá-la se ela quebrasse as regras. Que ela não era bem-vinda de volta, em outras palavras: divirta-se e depois chute para o meio-fio.
As portas abriram pra deixar as outras meninas entrarem. Elas olharam para a gente na zona proibida e fizeram bico. Estávamos sentadas numa área restrita, a menos que fôssemos convidadas. Pelo que entendi, elas estavam ali pra abrir as pernas e dar alívio para os caras, mas não pra virar família. Podiam até sonhar que algo mudasse; era raro um patched pegar uma dessas, que provavelmente já tinha passado por todos os solteiros do clube em algum momento.
As minhas meninas me deixaram com a Sticks e saíram passeando com as outras, ganhando o tour pelo lugar.
— Quer dar uma volta? — Sticks ofereceu, e antes que eu percebesse, estávamos andando pelo térreo enorme.
— Pronta pra ver a oficina? Os caras podem tentar te convencer a ajudar quando souberem quem você é. — Sticks me levou por um caminhozinho estreito ladeado de arbustos floridos até um conjunto de galpões grandes, tipo de fazenda. Dentro tinha motos, algumas desmontadas, outras amassadas de acidente, e outras polidas como se fossem o orgulho de alguém.
Tinha uma oficina ali, com homens trabalhando nas próprias motos. Eles ergueram o olhar quando entramos e franziram a testa. Se a Sticks não estivesse comigo, teriam provavelmente rosnado para eu dar o fora.
— Quem é essa, Sticks? — Um m*****o de homem perguntou com a voz mais grave que eu já ouvi na vida. Parecia muito com o cara do portão, mas com músculos mais definidos, que eu teria adorado passar os dedos. Um pouco mais alto, e mesmo parecendo grande e assustador, ele fazia as minhas partes femininas cantarem de um jeito que nunca tinham cantado antes.
Capítulo 5
Tank POV
Alguns caras não gostam de festas, então parei de ir até mais tarde da noite, quando as garotas que apareceram já estavam comprometidas. Não gosto das mulheres que vêm aqui na esperança de adotar o nosso estilo de vida. Prefiro usar a minha mão a uma dessas mulheres.
Não me interpretem mal, já tive a minha cota de mulheres; no entanto, tive uma garota que me pressionou para trаn'sаr com ela e, quando o fiz, ela acabou no hospital, porque não sou exatamente um homem pequeno e a rasguei toda. Ela precisou levar pontos e não fiquei com nenhuma mulher desde então.
Como meu irmão, nós dois somos homens grandes; ele tem 1,98 m de altura e eu tenho 2,03 m. Ele está acima do peso, enquanto eu sou todo músculos. Tenho orgulho de me manter em forma, mas ser tão grande tem as suas desvantagens, e ter um pê'nis grande me deixa preocupado em machucar outra mulher. Por mais que eu queira, não consigo; não quero passar por isso novamente.
O Prez era a única pessoa que sabia por que eu não participava das festas; ele estava comigo quando levamos a garota ao hospital, ela me perdoou e tentou me convencer a ficar com ela, mas eu não consegui. Cada vez que eu começava a ficar í****o, eu tinha flashes dos gritos dela e o meu pê'nis murchava como um balão estourado.
Estávamos na oficina, fazendo alguns pequenos ajustes. Enquanto me preparo para o nosso passeio, estou animado. Quando trazem as mulheres, os homens geralmente ficam de melhor humor e se comportam melhor.
Eu estava pensando em reconstruir. Comecei na semana passada. Temos alguns destroços que precisam ser consertados; alguns estão aqui há muito tempo. Só podemos ir até certo ponto antes de precisarmos da ajuda do Mike. Nenhum de nós era mecânico. Eu estava coçando a cabeça, pois estava quase no limite do meu conhecimento, quando ouvi alguém entrar e um perfume suave que não deveria estar neste galpão atingiu meu nariz. A voz da Stick chegou aos meus ouvidos e eu levantei a cabeça para olhar em sua direção.
— Quem é essa, Sticks? — perguntei. A garota mais bonita que eu já vi entrou em nosso santuário, um lugar onde poucas garotas são permitidas, o que fez Sticks trazer essa beleza para essa sujeira e gordura, o que foi inesperado.
— Essa é a Max, da oficina do Mike, aprendiz dele. Acho que terminou o estágio e tá fazendo uns cursos extras em Harleys, pegando licença especializada. — Banjo disse enquanto se aproximava para cumprimentá-los. Os outros também se levantaram e se aproximaram, fazendo-me sentir um i****a por não ter reconhecido Max. Embora eu só a tivesse visto algumas vezes à distância, e ela estivesse normalmente concentrada em consertar bicicletas, mal consegui ver o rosto dela. Não fomos apresentados porque eu não teria esquecido aquela beleza se tivéssemos sido.
Sticks nos apresentou e nós a cumprimentamos antes que eu decidisse que poderia precisar da ajuda dela. Coloquei de lado os pensamentos sobre o que eu não me importaria de fazer com ela, não que eu pudesse fazer isso.
— Max, vem dar uma olhada nesse destroço. Estou travado no que fazer agora — chamei ela para moto que eu estava mexendo.
— Tank, sério que você não podia esperar outro dia? Ela veio pra festa, não para trabalhar — Sticks resmungou quando Max caminhou na minha direção. Ela estava limpa e cheirava bem, e tive um breve momento de culpa por chamá-la. Nas poucas vezes em que a vi, ela estava coberta de óleo e graxa, vestindo um macacão que escondia seu corpo bem torneado.
— Max, tem certeza? — a Sticks puxou a mão dela para chamar atenção.
— Tenho. Tô mais em casa aqui dentro do que lá fora — ela respondeu com um sorriso e virou para mim.
— Qual é o problema? — perguntou, se aproximando pra inspecionar a moto.
Expliquei detalhadamente o que havia acontecido com a moto, o que eu havia conseguido fazer até então e o que precisava para seguir em frente. Max tirou a sua jaqueta de couro e a pendurou em um assento de moto próximo, depois se agachou.
Nas duas horas seguintes, Max trabalhou na moto comigo, me orientando nas partes mais complicadas que eu não conseguia fazer. Os outros se aproximaram e aproveitaram esse tempo como uma espécie de sessão de treinamento, e Max não pareceu se importar nem um pouco. Fizemos perguntas enquanto ela trabalhava na moto e ela me usou para levantar as peças pesadas. Foi um trabalho em equipe e concluímos mais reparos naquele tempo do que eu teria feito sozinho.
— Ei, Max — Bruiser gritou na porta. Ele estava de pé, com as pernas afastadas e os braços cruzados, e eu me perguntei se tínhamos feito algo errado.
— Aqui atrás — ela respondeu ao chamado.
Ele chegou e caiu na gargalhada ao nos ver.
— Max, eu te convidei para uma festa, sabe? Dançar, beber, socializar. Isso aqui não era o que eu tinha em mente como festa — ainda ria quando o presidente entrou, com a Sticks no braço.
— Vocês ainda têm ela trabalhando aqui fora? — Sticks quase rosnou para a gente. Quando a old lady do presidente rosna, todo mundo escuta. Ela é a última pessoa que a gente quer irritar.
— O quê? — perguntei confuso. A Max não parecia incomodada, e a gente estava se divertindo ali.
— E aí, presidente. A festa acabou? — a Max perguntou calma, mas parecia torcer pra que tivesse acabado.
— Nem perto, gata. — o presidente respondeu sorrindo. Ele conhecia a Max há anos por causa da oficina. Sempre falava da mecânica mulher e do jeitinho atrevido dela. Eu achava que ele exagerava, mas depois de passar um tempinho com ela, eu estava fisgado.
— Quase terminamos o conserto da moto do Spider. Se pudermos ter a Max aqui uns dias, aposto que a gente consegue botar tudo na estrada até o fim da semana — eu falei, era minha forma de pedir pra ela ficar um pouco e consertar as motos. O Spider já estava quase curado e louco pra voltar pra própria moto.
— Tem que perguntar pro Mike. Ela é funcionária dele. A gente pode ser dono da oficina, mas ele quem manda, e eu não me meto com os funcionários dele — o presidente respondeu pensativo.
— Ele tá aqui? — perguntei. O Mike raramente aparece nas festas de fim de semana.
— Tá, chegou há meia hora — a Sticks respondeu enquanto entregava uma garrafa d’água para Max.
— Max, se o Mike liberar, você topa trabalhar com a gente uma semana? Pra deixar umas motos prontas pro rolê do fim de semana? — o Sparks perguntou, e eu me chutei mentalmente por não ter pensado que ela talvez não quisesse passar uma semana inteira aqui.
— Claro, se o Mike não precisar de mim. Temos várias motos em manutenção antes do rolê das old ladies. — a voz doce dela ecoou pelo galpão, e os caras assentiram entendendo.
— Valeu, gata — Spike gritou. Todos nós aqui gostávamos que ela trabalhasse nas nossas motos; pode parecer estranho deixarmos uma garota mexer nas nossas motos, mas Max não era como a maioria das garotas. Quem quer sentar nas motos ou deitar nelas? Max sabe o que está fazendo e já provou isso em várias ocasiões. Eu gostaria de ter sabido como ela era atraente. Cara, fiquei com t***o desde que ela entrou pela porta.
O Prez até a deixa andar em sua própria moto, um privilégio que poucas mulheres têm. Ela era mais parte da equipe; nenhuma outra garota que conheço trabalha com motos como ela, e sua reputação durante o tempo em que foi aprendiz tem sido exemplar. Não é uma caçadora de homens.
Quando soubemos que nossa garota havia sido traída da pior maneira possível, todos nós queríamos ir m***r o homem, mesmo que metade de nós nunca a tivesse realmente conhecido, sim, a tivéssemos visto à distância, ou suas pernas aparecendo debaixo de um caminhão, mas nunca tivéssemos sentado e conversado com ela antes de hoje.
Ela era divertida, me fez rir algumas vezes, mas na maior parte do tempo aqui, ela se dedicava às motos e não ficava flertando, como a maioria das garotas faz quando está perto de nós. Elas veem o glamour do estilo de vida, mas isso não é para todos.